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Lúpus Eritematoso Sistêmico

O que é?

O lúpus é uma doença autoimune, ou seja, as defesas do organismo (imunidade) atacam o próprio corpo. Isso pode acontecer só na pele, sem afetar outros órgãos (chamamos de lúpus eritematoso cutâneo). Porém, algumas vezes, outras partes do corpo são atacadas: as articulações, os rins, as células do sangue, a camada que envolve o coração e os pulmões, o intestino e até o cérebro. Nestes casos, chamamos de lúpus eritematoso sistêmico.

Nem sempre o lúpus ataca todos esses órgãos. Ele pode acometer, por exemplo, só pele, articulações e rins, ou só a pele e o sangue, depende de cada pessoa. O lúpus sistêmico geralmente apresenta crises que vêm e vão, e cada uma pode ter intensidade, gravidade e duração diferentes. Quando o lúpus está atacando o corpo, dizemos que ele está em atividade (ele está acordado). Quando o lúpus não está causando problemas, dizemos que está em remissão (ele está dormindo)

Quem pode ter?

Para cada homem com lúpus, há nove mulheres acometidas. O grupo de mulheres em idade fértil, dos 20 aos 40 anos, é quem tem a maior incidência. Crianças também podem ter a doença. Ela não é transmissível.

Qual a causa?

O lúpus é claramente multifatorial, ou seja, há vários fatores que, juntos, fazem a doença surgir. Um deles é o fator genético – há vários genes relacionados com a doença, mas nenhum causa a doença por si só. Os hormônios femininos, principalmente o estrógeno, também podem ter papel no desencadeamento da doença. A luz ultravioleta, vinda do Sol ou de lâmpadas, é um fator bem importante e conhecido como gatilho para crises do lúpus, tanto o de pele como o sistêmico. Alguns medicamentos também podem causar a doença. Por isso, é muito importante o médico saber sobre todos os remédios que a pessoa usa ou já usou.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do lúpus normalmente é um grande desafio. Ele pode ser fácil quando a pessoa tem vários sintomas típicos e os exames de sangue comprovam. Mas em alguns casos, os sintomas não são tão típicos, ou os órgãos vão sendo afetados ao longo de meses (e não todos ao mesmo tempo), e os exames de sangue não são definitivos para o diagnóstico.

Existem critérios para diagnosticar uma pessoa com lúpus. É sempre necessário que tenha algum sintoma, mais um exame de sangue alterado. Só o exame de sangue alterado não dá o diagnóstico. Isso é muito comum, por exemplo, com o exame de FAN. O FAN positivo não quer dizer que a pessoa tem a doença. A biópsia do órgão acometido pode ajudar, e muito. A biópsia de pele e, sobretudo, a dos rins, algumas vezes são necessárias para o diagnóstico correto.

Como é o tratamento?

O lúpus não tem cura. O objetivo do tratamento é colocá-lo para dormir, ou seja, colocá-lo em remissão. Isso se faz com medicações que diminuem a imunidade do corpo, ou seja, são medicamentos imunossupressores. Cada órgão afetado tem seu tratamento específico. Por exemplo: se o lúpus está atacando a pele, podem-se usar cremes, corticoide via oral, cloroquina ou hidroxicloroquina, metotrexato, dapsona, talidomida, etc. Tudo depende do grau de intensidade e de quanta pele do corpo está sendo machucada.

No caso de o lúpus atacar os rins (chamamos a inflamação dos rins de nefrite) o tratamento é mais forte. Podemos usar corticóide em doses altas, ciclofosfamida, micofenolato mofetil, azatioprina, ciclosporina, etc. Cada caso é diferente do outro, e existem vários fatores para o médico reumatologista decidir entre um ou outro remédio. O tempo de tratamento também varia. Depende da agressividade da doença.

Evitar a exposição ao Sol e à luz ultravioleta de lâmpadas é imprescindível. Isso se faz não só com filtro solar, mas também com chapéu, manga comprida, e principalmente, evitando a exposição.

A cloroquina e sua “irmã”, a hidroxicloroquina, são medicações que todo paciente com lúpus deveria usar. Isso porque elas ajudam a manter o lúpus em remissão, ou seja, o mantém dormindo. Existe um medicamento novo para lúpus, chamado belimumabe. Este medicamento só foi estudado cientificamente em casos leves a moderados de lúpus. Nestes casos, é eficaz. Quando o lúpus é grave (por exemplo, com inflamação dos rins e cérebro), ainda não se sabe se este novo medicamento é suficiente.

É muito importante, nos casos graves de lúpus (por exemplo, quando ataca os rins), que se mantenha a pressão muito bem controlada, os níveis de açúcar e colesterol ideais e principalmente, que a pessoa não se exponha ao Sol.

Quais as consequências?

Antigamente, o lúpus não tinha tratamento adequado, e a mortalidade era alta. Hoje em dia, existem muitos novos tratamentos, que são eficazes e seguros. Também se aprendeu muito sobre a doença nas últimas décadas. Isso significa que os reumatologistas entendem melhor a doença e têm mais condições de tratá-la adequadamente. Por isso, a mortalidade caiu muito: hoje em dia é raro alguém morrer de lúpus, a não ser em casos muito graves, quando ele é agressivo e resistente ao tratamento. Ele continua sem cura, mas já não deve assustar tanto as pessoas, porque provavelmente a pessoa algum dia morrerá com o lúpus, mas não do lúpus.

Quando o lúpus não é tratado corretamente podem surgir cicatrizes na pele, alopécia (áreas do couro cabeludo que ficam carecas), deformidades nas articulações (principalmente das mãos), anemia grave, perda da função dos rins (consequentemente necessidade de hemodiálise ou transplante renal). Tudo pode ser evitado se a doença for tratada corretamente e a tempo de se evitar sequelas.

Há também consequências do tratamento mal feito. Quem usa corticóide em doses muito altas por muito tempo, por exemplo, pode desenvolver estrias na pele, ganhar peso, aumentar a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue, e enfraquecer os ossos (osteoporose). Por isso, tentamos usar o corticoide pelo menor tempo possível e na menor dose possível. Para isso, substituímos o corticóide por outros medicamentos, chamados imunossupressores.

Uma mulher com Lúpus pode ter filhos?

A princípio, sim. Sabemos que a capacidade de uma mulher com lúpus engravidar é a mesma de uma mulher sem lúpus, ou seja, a fertilidade não é alterada. Porém, isso é uma questão bem complicada. Uma mulher lúpica que engravida, tem mais chance de ter problemas na gravidez porque é muito comum o lúpus “acordar” durante a gestação.

Existe também o problema dos remédios que a mulher está tomando, que podem causar más-formações no feto. Por isso, a gravidez de uma mulher com lúpus é uma gravidez de alto risco, e deve ser acompanhada de perto por um reumatologista e um ginecologista-obstetra com experiência em casos de mulheres lúpicas grávidas.

Se uma mulher com lúpus quiser engravidar, a primeira coisa a fazer é conversar com o reumatologista e com o gineco-obstetra. O momento ideal para engravidar é quando o lúpus está em remissão, ou seja, dormindo por um período anterior ao planejamento da gravidez de pelo menos 6 meses a um ano. Também é ideal que a mulher esteja usando cloroquina (ou hidroxicloroquina) e que não esteja tomando remédios que causem mal ao bebê.

 

Em todas as doenças apresentadas, a consulta ao especialista é imprescindível. Procure seu reumatologista mais próximo aqui